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Publicado por cursosarianenovello Time 24 outubro 2018

Olá, minha moça!

Durante muito tempo, ouvi falar que o anestésico pode influenciar na fixação do pigmento na pele e, por isso, resolvi testar, porque gosto de ter a constatação por minha própria experiência e porque fico feliz em compartilhar meu conhecimento com você. Mas antes, vamos falar sobre cosméticos, cosmecêuticos e medicamentos usados na micropigmentação? É importante dominar o assunto para não cometer erros.

Bom, não existe uma “fórmula power” na composição e/ou aplicação do anestésico, inclusive, por esse motivo, você precisa ter o domínio da técnica e entender o procedimento, para não cometer erros e causar danos à pele da sua cliente. Mas, como usar o anestésico com segurança? Para isso, você precisa entender como ele vai agir na derme e bloquear o impulso nervoso.

 

Entendendo a derme e a permeabilidade:

A derme é a camada mais profunda da pele, a qual o anestésico precisa chegar depois de passar pela camada córnea e pela epiderme. A epiderme é a camada externa, que possui várias camadas de células muito unidas e fica entre a derme e camada córnea. E a camada córnea é a parte exterior e também a mais difícil de passar, pois é repleta de lipídios e queratina que formam uma barreira protetora na pele.

Existem diversos fatores que devem ser observados para que o anestésico consiga chegar até a derme, entre eles a lipossolubilidade e a hidrofobicidade. Cada anestésico tem o seu grau de hidrofobicidade e quanto mais hidrofóbica for a molécula presente nele, mais fácil ela vai permear (passar) pela camada córnea. Outros fatores importantes são:

  • O PKA (PH) da molécula: quanto mais próximo o PKA for do PH fisiológico da pele, em torno de 4 / 7, maior será a penetração do anestésico.
  • A vasodilatação do local onde for aplicado o anestésico: quanto maior for a vascularização do local, mais ele vai permear e quanto maior a permeação, maior o potencial de ter efeitos tóxicos. Atenção!
  • A ligação das moléculas nas proteínas: o processo como um todo.

A combinação de todos estes fatores com o tempo de ligação do anestésico com a pele, também é determinante para a sua ação.

 

Anestésicos mais utilizados:

Os anestésicos mais utilizados atualmente são a Lidocaína, a Prilocaína, a Tetracaína e a Benzocaína. Vamos falar de cada um deles:

  • Lidocaína: é o mais comum e mais utilizado. Ele é do grupo amida, tem ação rápida, duração moderada (em torno de 1h ou 2h), potência moderada (o que pode causar menos danos à pele) e promove a vasodilatação.
  • Prilocaína: também é do grupo Amida e bem parecido com a Lidocaína, a diferença é que ele faz uma vasoconstrição sanguínea, ou seja, reduz o aporte de sangue local – ideal para pacientes que não podem usar Epinefrina.
  • Tetracaína: é do grupo Éster, tem longa duração e alta potência. Fique atenta, pois o efeito colateral de toxicidade é maior, uma vez que ele se liga mais fortemente aos canais de sódio inibindo a transmissão do impulso nervoso e promovendo a anestesia local.
  • Benzocaína: é muito usado para anestesia de mucosas, como oral e vaginal, mas também pode ter uso tópico. Ele também é do grupo Éster, tem ação rápida e curta duração, em torno de 15 a 20 min. Por isso, é usado em áreas que não necessitam de longa duração.

A Epinefrina:

Além dos anestésicos acima citados, mencionamos a Epinefrina, que é um vasoconstritor, ou seja, ela diminui a quantidade de sangue no local e faz com que o anestésico permaneça por mais tempo na derme, lá no impulsiono nervoso que é onde ele age. Mas atenção, minha moça! É importante ter muito cuidado com a quantidade aplicada e o local, pois o prolongamento do tempo do ação pode provocar a necrose do tecido – um efeito colateral muito grave.

Em vez de comprar um anestésico de uso comercial, você também pode mandar fazer o seu em uma farmácia de manipulação. Existem diversas fórmulas muito boas e desenvolvidas por profissionais.

*Lembrando: não é preciso usar grandes quantidades de Epinefrina, há a possibilidade de fazer combinações como Lidocaína + Tetracaína + Prilocaína que alcançam os resultados desejados.

Um exemplo de anestésico manipulado muito usado por micropigmentadoras é este:

Lidocaína (alta concentração) + Benzocaína + Epinefrina

Se você usa, ATENÇÃO! Ele não foi feito para este fim, por isso, não dê para a sua cliente usar em casa pré-procedimento, pois qualquer erro pode causar necrose (principalmente nos olhos).

E mais… minha moça! Cada cliente é única, a idade influencia, o tipo de pele… e aqui eu trago outra dica: procure não usar grandes concentrações de anestésicos em pessoas com a idade mais avançada, pois há grandes chances de causar lesões na região dos olhos.

 

Anestésicos comercialmente vendidos:

Sobre os anestésicos vendidos comercialmente, são eles:

  • EMLA: contém 2,5% de lidocaína e 2,5% de prilocaína, a aplicação dele precisa ser feita na pele intacta sob oclusão e com 1h de antecedência ao procedimento. Ele atua fazendo uma vasoconstrição nos 90 min pré-procedimento e, após, ele faz uma vasodilatação. Ele é seguro e eficaz. Não precisa de prescrição médica.
  • DERMOMAX: contém 4% de lidocaína e chega até a derme através dos lipossomas, que são esferas multilamelares as quais levam a lidocaína estocada dentro delas e vai liberando-a aos poucos nas camadas. Por esse motivo, ela tem um tempo maior de ação e maior potência, por isso a anestesia é melhor. A aplicação deve ser feita sob a pele, sem oclusão, de 15 a 45 min antes do procedimento. Ele é seguro e eficaz. Precisa de prescrição médica.

Teste:

Bom, agora que você já adquiriu um grande conhecimento sobre anestésicos, vamos ao teste! Mas, como eu fiz o teste? Afinal, precisava desenhar os fios na pele de alguém… Eis que meu excelentíssimo marido, me deu de presente seus braços para treinar, o que me deixou imensamente feliz e realizada… O melhor presente que ele poderia ter me dado! Risos! Fizemos vários testes e, aos poucos, vou compartilhando aqui com vocês!

Primeiro de tudo, é importante você saber que foram vários dias de testes até que eu chegasse ao resultado. Acompanhe:

  • No teste 1, utilizei o pré anestésico Dermomax antes; após a primeira passada, usei um manipulado.
  • No teste 2 não usei nada.

Em ambos não usei pomada cicatrizante, pela razão de que ela poderia influenciar no teste. Usei a mesma lâmina 12 flex e fiz duas passadas com chocolate mousse da Kolorsource.

Comparativo do teste com e sem anestésico:

Teste 1 – Com Pré Anestésico e Anestésico

No dia:

No dia
Com anestésico

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Após 7 dias:

Após 7 dias
Com anestésico

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Após 40 dias:

Após 40 dias
Com Anestésico

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Teste 2 – Sem Anestésico:

No dia:

No dia
Sem anestésico

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Após 7 dias:

Após 7 dias
Sem anestésico

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Após 40 dias:

Após 40 dias
Sem anestésico

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Então, após vários dias de teste, finalmente chegamos ao resultado. Percebam que, em ambos, o pigmento se mantém igual. Contudo, durante o processo percebi que no dia do procedimento, o lado que não usei ficou com a pele mais vermelha, porém no decorrer dos dias, o processo se inverteu e, em contraste, o lado que usei estava com mais vermelhidão.

Conforme os dias foram passando, os fios foram cicatrizando e não houve uma grande influência na fixação. Porém, se você olhar com mais atenção, o fio com anestésico não teve uma definição tão perfeita.

Portanto, é importante avaliarmos sempre o que é mais importante em cada caso. Se é a cliente sentindo dor e movimentando os músculos da face, ou a cliente tranquila, porém com uma pequena influência na fixação. Do mesmo modo que existem os “prós”… existem os “contras”, cabe a você decidir como irá conduzir o seu trabalho.

Espero que tenha gostado do teste, pois fiz com muito carinho para você!

Em breve teremos um conteúdo super bacana sobre a fisiologia do pigmento! Enquanto isso, dê uma espiadinha nesse artigo sobre os erros na micropigmentação.

Um grande beijo,

Ári

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